A prática do JuJutsu, para as classes Infantil e Juvenil


Crianças dos seis aos nove anos

Aspecto físico:

   Grande mobilidade e coordenação cerebral e motora.

   Desenvolvimento biológico. Nos períodos de desenvolvimento o organismo fica mais débil, é mais excitável e torna-se difícil a sua atenção.

   As posturas incorrectas podem dar origem a deformações da coluna vertebral.

   Debilidade do sistema nervoso.

   Rápida recuperação física.

   Maior habilidade do seu aparelho locomotor.

   Articulações muito flexíveis e extremamente frágeis às torções e estiramentos .

   As meninas têm um desenvolvimento mais precoce e rápido que os meninos.

   São indiferentes aos riscos, muito imitadores, volúveis e inconstantes.

Aspecto psíquico:

   Nesta idade diminui a sua capacidade de atenção que é espontânea e instável.

   Tem tendência a imitar aquilo que lhe resulta agradável.

  Tem uma memória excelente que lhe permite aprender sem compreender.

   Necessita de ser querido e apreciado pêlos que o rodeiam ou que se relacionam com ele.

   Adquire consciência dos outros e do grupo que quer agradar, desejando estar em boas relações.

   Carece de estabilidade emocional; tanto pode estar dócil e tratável como arisca e desobediente.

   Aceita as regras do jogo, embora por vezes prefira fazer batota para não perder.

   Não conhece o meio termo; tem tendência a ser extremista e radical.

   Admite o elogio e a aprovação mas não aceita a critica.

   Quer ser o primeiro e preferido em tudo.

   Sensibilidade muito frágil que o pode fazer chorar perante qualquer contrariedade

Aspecto ético-sociológico:

   Dá pouco valor aos mais pequenos que ele e mostra claras preferências por companheiros concretos.

   Unicamente as impressões dos seus sentidos activam a sua atenção.

  Comporta-se melhor com elogios do que com castigos e ameaças.

   Começa a perceber as contradições, as injustiças e os defeitos dos outros.

Necessidades da criança:

   É a idade óptima para a aprendizagem dos gestos básicos.

   Necessita mover-se muito, permitir que actue, não tê-lo muito tempo sentado a ouvir explicações.

  Não realizar exercidos violentos nem de força e nem demasiado intensos ou prolongados.

   Necessita desenvolver a sua capacidade pulmonar e o seu coração.

   Necessita dar mobilidade à sua coluna vertebral, mas não carregando com pesos ou realizando esforços com as costas curvadas.

   Todos os exercícios de abdominais no solo deverão realizar-se com as pernas recolhidas sobre o ventre.

   Não solicitar a sua atenção por espaços de tempo superiores a 2 minutos.

   Necessita sentir-se aceite, seguro e apreciado.

  Entusiasma-se rapidamente por algo mas também se cansa rapidamente dele. E importante saber motivá-lo através desse entusiasmo passageiro e renová-lo animando-o constantemente.

Pedagogia aplicada:

   A duração máxima da classe deve ser de 50 ou 60 minutos.

   Os uchikomi ou repetições não são apropriados para esta idade porque não percebem o valor do esforço despendido. Só se lhe produz satisfação será capaz de repetir com interesse.

   A explicação de uma técnica ou movimento deve ser curta e clara, tentando motivar a criança através dos seus dotes de imitação e criatividade.

   Dado que a criança não alcançou um pleno desenvolvimento das suas qualidades neuro-motrizes é inútil insistir em exigir que as suas técnicas sejam perfeitas.

  As crianças retêm mais facilmente uma explicação global do que uma fragmentada.

   Observar a mesma etiqueta e o mesmo cerimonial que nas classes dos adultos. Não é bom infantilizar a classe ao extremo.

   Procurar que treine com parceiros da mesma idade e peso.

   Mudar o ritmo da aula quando for notado sinais de fadiga ou aborrecimento.

   A criança deve aprender a dar valor à sua própria estima através de um comportamento correcto e de um grande respeito pelos seus companheiros, o professor, o dojo, etc.

   Fomentar o sentido de convivência e amizade. Ensiná-lo a ser responsável.

  Antes de dar uma ordem saber que são capazes de cumpri-la.

  Conservar a calma em todos os momentos e manter o domínio de si próprio na linguagem,
comportamento e atitude.

   Tem-se constatado por muitos professores que: em dias de vento as crianças mostram-se mais
excitadas e turbulentas; em dias de chuva estão abatidas; em dias de muito calor estão com menos interesse, assim como o frio extremo as paralisa e o fresco as excita.

   A personalidade do professor é fundamental e nunca é recomendável deixar a classe nas mãos de alguém não preparado, pois em caso de acidente não haveria justificação perante os pais.

Os jogos:

O jogo é a expressão de todas as qualidades da criança e portanto uma necessidade fundamental; é o exercício que melhor se aplica aos impulsos biológicos e psíquicos e às condições físicas das crianças. Devemos dar espaço à iniciativa e à imaginação do aluno, não obstante ser necessário a participação do professor como organizador para que:

   As crianças se ponham de acordo para mudar de jogo.

  Levam muito tempo a organizar-se.

   Têm tendência à indisciplina e a "fazer batota".

   O professor não deve ser o centro do jogo mas simplesmente o animador, o guia que permite aos alunos desenvolver toda a sua personalidade.

   A explicação de um jogo deve ser curta, clara e precisa.

O professor intervém:

   Para introduzir novas normas, se estas puderem tomar o jogo mais interessante.

   Para assinalar erros.

   Para formar grupos segundo a idade, altura, etc.; procurando equilibrar as possibilidades de cada um não deixando que se agrupem por afinidades.

Devem-se fazer jogos em que participem todos os alunos de modo a que os de fora não se cansem e alterem a ordem, mas também não se deve formar grupos tão numerosos que iriam forçosamente impedir que interviessem simultaneamente.

  É muito ameno introduzir um ou vários jogos a meio da classe ou no final para romper a monotonia.

  Os jogos no princípio da classe podem substituir o aquecimento de vez em quando.

A criança dos 9 aos 12 anos:

Aspecto físico: 

  Melhor coordenação motora e grande vitalidade.

  Diminuição do ritmo de crescimento.

   Fase de pré-adolescente, começo de mudanças e transformações.

Aspecto psíquico:

   Brusco e conflituoso nos jogos. Necessita de alguém que lhe recorde o respeito que deve aos outros.

  Observa de uma forma crítica as palavras e acções dos outros.

  Admira o valor. Idade de travessuras.

  Afirmação da personalidade através de uma grande variedade de manifestações.

  Exagerada emotividade.

  Atenção fixa e analítica.

Aspecto ético-sociológico:

  Retrai-se no seu mundo interior, a que só têm acesso os amigos da sua confiança.

   E sério e sincero, distingue entre o bem e o mal e indigna-se perante a injustiça.

   É alegre e amigável.

Necessidades da criança:

  Nos exercícios de ginástica deve-se evitar o estiramento exagerado dos músculos abdominais.

  Ensiná-lo a respirar correctamente, expulsando o ar durante o esforço.

  Evitar os exercícios que possam provocar lesões na zona lombar.

   Embora o combate (competição) possua valores educativos, ajuda a vencer o medo, acrescentando o valor e a confiança nele próprio, aprende-se a aceitar a derrota sem vergonha por ter sido vencido, de maneira que veja o resultado negativo dos seus próprios erros, etc. A participação das crianças em competições deve ser moderada- nunca sacrificando o seu equilíbrio psicossomático nem por trofeus, títulos, marcas ou no interesse do professor ou do clube.

Jovens dos 13 aos 15 anos:

Aspecto físico:

   A coluna vertebral vai adoptando a sua curvatura normal pouco a pouco.

   Cansa-se rapidamente e recupera-se com dificuldade, pelo que se limitara a intensidade dos exercícios.

   Desenvolvimento dos músculos esqueléticos; equilíbrio instável.

   Crescimento rápido, falta de harmonia e coordenação dos seus membros e nos seus movimentos.

Aspecto psíquico:

  Desequilíbrio emotivo-afectivo: inquieto.

  Falta de confiança nele próprio.

  Atitudes agressivas como forma de afirmação da personalidade.

   Desejo ou tendência a enfrentar-se com os seus companheiros.

A mulher

A prática dos desportos e das Artes Marciais é tão necessária e útil à mulher como ao homem. Evidentemente o corpo, o organismo e o mundo interior da mulher não é igual ao do homem e, em relação a este, a mulher tem por exemplo:

   Ombros mais estreitos, ancas mais largas.

   Em geral a sua estatura é mais baixa.

   Menos massa muscular, maior quantidade de tecido adiposo e pele mais delicada.

  Menor capacidade pulmonar, respiração mais rápida e menos profunda.

   Menor resistência.

   Maior frequência cardíaca (mais pulsações por minuto).

   Seu sangue tem mais plasma, mas menos glóbulos vermelhos.

  E mais intuitiva que o homem.

  

 

 


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